Paulinho Caruso é o diretor do episodio Il Babbo e il capo, da série Destino RJ. Com as filmagens concluidas, Paulinho escreveu para o site sobre o trabalho realizado:
Um protagonista e um antagonista na faixa dos 80 anos de idade. Duas crianças. Um cachorro. Praia. Favela. Perseguições. Tiros e tomatadas.
Não foi nem um pouco fácil, mas acabamos ontem as filmagens de Il Babbo e Il Capo, o episódio italiano de Destino RJ.

Eu nunca tinha trabalhado em um projeto de ficção com um planejamento tão certinho e cronograma sem brechas. Sofri um pouco nos primeiros dias de filmagem, mas fui aprendendo a lidar com a ansiedade e no final acho que deu tudo certo. Tenho certeza que o Marcelinho vai se divertir na ilha de edição.
Esse projeto foi muito emocionante e intenso para mim. Além da cobrança pessoal em fazer ficção (que é o motivo pelo qual escolhi estudar Cinema), trabalhar próximo do Antônio Bovini e do Pietro Mario foi muito gratificante. Agradeço muito a toda a equipe, Alice, Cassio e Timtim pela paciência, ao Fabinho e a Bel pela oportunidade e pela parceria.

Quando me pediram pra ecrever esse texto sobre a minha experiência, me lembrei do primeiro dia da preparação de elenco com o Chris Durvoort. Tínhamos uma questão entre os dois atores. Quem seria Michele, o protagonista?
A príncipio tudo indicava que o papel deveria ser do Pietro Mario, que é um ator com uma longa carreira no teatro e televisão. O Antônio Bovini, nossa primeira opção para o Babbo (o antagonista) passou uma parte da vida fazendo figuração em novelas como Terra Nostra, e figurante pra papel principal deixa qualquer diretor receoso.
Porém, ao começar a estudar as caras e os jeitos, chegamos a uma conclusão. Era melhor inverter os papéis em função de um longo monólogo no final do episódio, o qual Antônio dificilmente decoraria o texto. Pietro Mario interpretou com maestria.
Sem querer esse virou nosso maior acerto. Essa incerteza em relação ao papéis gerou uma certa competição entre os dois que imprimiu no episódio de forma muito engraçada.
Mas o maior acerto em relação a essa escolha foi ao término da última cena. A equipe bateu palmas e o Antônio começou a se despedir das pessoas uma a uma. Quando veio falar comigo, engoliu as palavras, seus olhos azuis se encheram de lágrimas e então eu percebi o que aquilo significava. Foi aos 83 anos, que pela primeira vez ele fez um filme onde a câmera estava o tempo todo apontando pra ele. Ele era o mocinho, o herói, o ator principal.

PS: Durante as filmagens acabamos mudando o nome do personagem de Michele para Antônio mesmo.