Confira texto da roteirista Elena Soarez, sobre Chris Riera.
RIERA
"A Chris vai ler", "A Chris tá lendo"
"A Chris já leu e vai mandar as notas"
"A Chris vem."
"A Chris ligou, tá um pouquinho atrasada, mas tá chegando."
Nos últimos anos - desde que eu a conheci - o ritmo do meu trabalho era ditado por ela.
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Tem uma semana que eu acabei de ler o último livro que ela me recomendou.
Falando sobre ler e escrever livros, a gente concordou uma vez: bastava uma originalidadezinha qualquer de estrutura... E eu disse: "e personagens". E ela disse: "e um pouquinho de melancolia". Concordamos - era nossa fórmula mais que suficiente.
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Fiz uma visita a ela. Há uns 2 meses. Tivemos 3 conversas. Na última, na hora do almoço na varanda de um restaurante na Vila Madalena, gemíamos sobre o óbvio: a vida não é narrativa. E nisso, o olhar periférico dela notou um senhorzinho que descia de bicicleta a rua levemente inclinada para baixo. E ela disse: "a vida é isso".
Um velho, sentindo que o plano inclina a seu favor, solta o pedal e deixa cair...
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Combinamos que esse velho ninguém tirava da gente.
Mas tiram sim.
Tiram o velho, tiram o ritmo, tiram os livros.
E a narrativa que a gente fingia fica muito sem graça sem a Riera.
(P.S: o livro é "Jerusalém", Gonçalo M. Tavares.)