A série Contos do Edgar que a O2 realizou para o canal Fox é um projeto desenvolvido por Gabriel Hirschhorn e Pedro Morelli, que também fez a direção geral da série.
Eles conversaram com o site contando sobre a escolha do autor, a adaptação dos contos, os aspectos de produção, a excelente repercussão do projeto e a possibilidade de ampliação da série.
Como foi o processo da escolha da obra de Edgar Allan Poe?
No fim de 2011, a O2 estava atrás de novos projetos, tudo por causa da nova lei que requer uma cota de produções nacionais para TV a cabo. Foi sob essa demanda que nos colocamos para pensar no assunto: qual seria um universo interessante de se abordar na TV brasileira? Sempre quisemos criar algo que se comunicasse com o público, histórias com forte dramaturgia e impacto visual. Surgiu então a ideia de adaptar algum clássico da literatura para a realidade brasileira contemporânea, usando uma dramaturgia já existente e bastante sólida, mas trazendo-a para um universo viável para a produção. Pensamos em alguns autores, mas o nome que mais nos encantou foi Poe. Quando éramos colegas na escola, lemos alguns contos do Poe e, desde então, eles ficaram nas nossas cabeças. Adaptar aquelas estórias macabras e sombrias para a realidade brasileira contemporânea, tudo se passando em São Paulo, usando a complexa cidade onde vivemos como pano de fundo, pareceu uma boa ideia, e começamos a colocar no papel.
Falem sobre a proposta da adaptação.
A primeira etapa do processo foi selecionar os contos. Como boa parte da obra de Poe mergulha em descrições psicológicas, esse foi um grande desafio, pois é necessário muita ação para segurar um episódio de 25 minutos. Focamos nos contos em que existia alguma ação, ou naqueles em que seria possível incorporar alguma ação sem perder a essência da obra. Depois disso, começamos a pensar em como adaptar os contos pra São Paulo hoje em dia. Essa foi a parte mais divertida. Transformar Berenice em cantora de música brega, transformar o castelo de Metzengerstein em uma oficina mecânica etc. Investimos muitas vezes em uma liberdade poética para deixar a série o mais original possível, ambientando-a em locais e contextos inesperados para quem assiste a uma adaptação de Edgar Allan Poe.

Gabriel Hirschhorn
O personagem de Edgar é um dedetizador. Como surgiu essa ideia?
Desde o início a principal questão foi: como estruturar uma série baseada em diversos contos curtos e independentes? Qual pode ser a unidade? Juntar vários contos na vida de um único personagem parecia complicado, já que cada história é muito peculiar. Optamos, portanto, em armar a série com episódios independentes, mas queríamos muito ter um elo de ligação entre todos episódios, algo como um alter-ego de Edgar Allan Poe para nos contar essas histórias. A primeira ideia foi fazer nosso Edgar ser um policial investigando crimes, mas descartamos logo de cara por ser um grande lugar-comum do cinema - queríamos algo que fugisse do que se vê no cinema americano. A segunda ideia foi fazer um Edgar escritor, que estaria escrevendo aquelas estórias. Mas assistir a um cara escrevendo no caderninho também pareceu ter pouco frescor. Queríamos um personagem que visse as estórias acontecendo e as contasse informalmente para alguém. Esse parecia um caminho mais interessante. Qual seria uma profissão que permitiria ao personagem andar por toda a cidade, interagindo com todo tipo de gente? Passamos por várias ideias até chegarmos aos dedetizadores. De cara essa ideia nos agradou porque está diretamente ligada à morte. A profissão dessas pessoas é matar pragas - de certa forma, eles são matadores. Há um tom ironicamente mórbido nessa profissão e, ao mesmo tempo, é um universo popular, o que cola muito bem com a nossa proposta de adaptação ao contexto popular brasileiro. O outro ponto que nos fez escolher essa profissão foi a enorme variedade de encontros que ela possibilita. Os dedetizadores entram nas casas das pessoas de todos os ambientes sociais, e lá podem observar tudo. Era o formato perfeito para nosso Edgar poder observar os personagens e imaginar suas histórias macabras.
Como vocês enxergam o resultado do trabalho?
Estamos muito contentes e orgulhosos. Nos esforçamos para sermos fieis à essência da obra de Poe e originais ao mesmo tempo, recontextualizando seus contos de uma forma nova; um suspense tropical. Agora o importante é sentir a reação do público. Isso é que importa de verdade.

Pedro Morelli
Ter alcançado inédito sucesso de audiência dá mais gostinho de sucesso ou aumenta o peso da responsabilidade ?
A audiência da estreia foi uma notícia incrível. Mas sabemos que isso se dá graças à divulgação do canal e ao nome do Poe, que atrai muita gente. Agora que vamos saber se o público está gostando de fato da série, se as pessoas continuam assistindo, se divulgam pros amigos. Vamos torcer para essa audiência continuar lá em cima.
Foram feitos 5 episódios. Há possibilidade da série crescer?
Se houver boa repercussão, a série tem tudo para ter uma segunda temporada. Vamos torcer!